segunda-feira, 7 de setembro de 2015

O livro de Jó. Capítulo 6.

       Então Jó, respondendo, disse:
_ Oxalá de fato se passasse a minha magoa, e juntamente na balança se pusesse a minha calamidade! Pois, na verdade, seria mais pesada que areia dos mares; por isso é que as minhas palavras tem sido temerárias. Porque as flechas do todo poderoso se cravaram em mim, e o meu espirito suga o veneno delas; os terrores de Deus se arregimentam contra mim. Zurrará o asno montês quando tiver erva? Ou mugira o boi ao seu pasto?
Pode se comer sal o que pode ser insípido? Ou há gosto na clara do ovo? Nessas coisas a minha alma se recusa a tocar, pois são para mim comida repugnante. Quem dera que se cumprisse o meu rogo, e que deus me desse o anelo! Que fosse do agrado de Deus esmagar-me; que soltasse a sua mão, e me exterminasse! Isso ainda seria a minha consolação, e exultaria na dor que não me poupa; porque não tenho negado as palavras ao santo.
Qual é a minha força, para que eu espere? Ou qual é o meu fim, para que me porte com paciência? É a minha força a força da pedra? Ou é de bronze a minha carne? Na verdade não há em mim socorro nenhum. Não me desamparou todo o auxilio eficaz? Ao que desfalece devia o amigo mostrar compaixão; mesmo o que abandona o temor do todo poderoso. Meus irmãos houveram-se aleivosamente, como um ribeiro, como a torrente dos ribeiros que passam, os quais se turvam com o gelo, e neles se esconde a neve; no tempo do calor vão minguando; e quando o calor vem, desaparecem do seu lugar.  As caravanas se desviam do seu curso; sobem ao deserto e perecem. As caravanas de temam olham; os viandantes de Sabá por eles esperam, ficam envergonhados por terem confiado; e chegando ali se confundem. Agora, pois, tais vos tornastes para mim; vede a minha calamidade e temeis, acaso disse eu: “ Dai-me um presente? Ou: fazei-me uma oferta de vossos bens? Ou: livrai-me das mãos do adversário? Ou: resgatai-me das mãos dos opressores?
Ensina-me e eu me calarei; fazei-me entender no que errei. Que poderosas são as da boa razão! Mas quem é que a vossa arguição reprova? Acaso pretendeis reprovar as palavras, embora sejam as razões do desesperado como o vento? Até quereis lançar sorte sobre o órfão, e fazer mercadoria do vosso amigo. Agora, pois, por favor, olhai para mim, porque de certo à vossa face não mentirei. Mudai de parecer, peço-vos, não haja injustiça; sim, mudai de parecer, que a minha causa é justa. Há iniquidade na minha língua? Ou não poderia o meu paladar discernir coisas perversas?


sábado, 5 de setembro de 2015

O livro de Jó. Capítulo 5.

    _ Chama agora: há alguém que te responda? E para qual dos santos te viras? Porque a ira destrói o louco: e o zelo mata o tolo. Bem vi eu o louco lançar raízes, mas logo amaldiçoei a sua habitação. Seus filhos estão longe da salvação; e são despedaçados às portas, e não há quem os livre. A sua messe a devora faminto, que até entre  os espinhos a tira; e o salteador traga a sua fazenda. Porque do pó não procede a aflição nem da terra brota o trabalho, mas o homem nasce para o trabalho, coco as faíscas da brasa se levantam para voar. 
   Mas quanto a mim eu buscarei a Deus, e a ele dirigiria minha fala. Ela faz coisas tão grandiosas, que se não podem esquadrinhar; e tantas maravilhas que se não podem contar. Ela dá a chuva sobre a terra e envia água sobre o campo, para por os abatidos em um lugar alto; e para que os enlutados se exaltem na salvação. Ela aniquila a imaginação dos astutos, para que suas mãos não possam levar coisa alguma a efeito. Ele apanha os sábios na sua própria astúcia; e o conselho dos perversos se precipita. 
   Eles, de dia, encontram as trevas; e, ao meio dia, andam como de noite às apalpadelas, mas o necessitado livra da espada da sua boca, e da mão do forte. Assim, há esperança para o pobre; e a iniquidade tapa sua boca. Eis que bem aventurado é o homem, a quem Deus castiga; não desprezes, pois, o castigo do todo poderoso. porque ele faz a chaga e ele mesmo a liga; e ele fere e as suas mãos curam.
   Em seis angústias, te livrará; e, na sétima o mal não te tocara. Na fome, te livrara da morte; e, na guerra, da violência da espada. Do açoite da língua estarás abrigado; e não temeras a assolação, quando a mesma vier. Da assolação e da fome te rirás, e os animais da terra não temerás, porque até com as pedras do campo terás a tua aliança, e os animais do campo estarão contigo. E saberás que a tua tenda está em paz, e visitará atua habitação, nada te faltará. também saberás que se multiplicara a tua semente, e a tua posteridade, como a erva da terra. Na velhice vira a sepultura, como se recolhe o feixe de trigo a seu tempo, eis isto já o havemos inquirido, e assim é; ouve-o e medita nisso para o teu bem.